Derico, que se apresenta em Maceió nesta quarta, revela como “quase se tornou alagoano”

Publicado em 23 de Fevereiro de 2019

por Rodrigo Cavalcante

Ele toca flauta desde os cinco anos. Aos 11, já se destacava em festivais como o de Campos do Jordão, onde tocou sob o comando do maestro Eleazar de Carvalho. Aos 15, começou a tocar à noite em grupos ou acompanhando grandes nomes da música brasileira.

Mas foi ao lado de Jô Soares que o músico João Frederico Sciotti ficou conhecido em todo o Brasil como o Derico, o “assessor de assuntos aleatórios”, em 28 anos do programa de entrevistas de maior sucesso do país.

Dias antes de desembarcar em Maceió para tocar no projeto Jazz Panorama, nesta quarta (27), às 20h, no Teatro de Arena, Derico falou a AGENDA A sobre sua carreira musical antes, durante e agora pós Jô - e de sua intimidade com Alagoas, onde já tocou no Sertão (em cima de um caminhão nos anos 1980), no Agreste (em Arapiraca) e em Maceió, para onde quase se mudou em 2005. “Por muito pouco, não virei alagoano”.

AGENDA A: O “Derico do Jô” é popular em todo o Brasil. Já a trajetória do músico João Frederico Sciotti é pouco conhecida. Verdade que você foi um menino prodígio da música erudita que quase foi morar fora do Brasil? 

Nasci em uma família de músicos. Aos cinco anos, comecei a tocar flauta. Aos 11, já me apresentava em recitais e tive a oportunidade de, aos 14 anos, ser “spala” (primeiro flautista) da Orquestra Jovem Municipal de São Paulo, tocando no Festival de Inverno de Campos do Jordão sob a regência do grande maestro Eleazar de Carvalho. Por essa época, o maestro recomendou à minha mãe (a pianista Mercedes Mattar Sciotti) que eu deveria seguir estudos na Alemanha. Esse, digamos assim, seria o caminho natural para um jovem na música erudita. Mas, nesse tempo, já estava experimentando outros repertórios, começando a tocar no Ânima, que me abriu para uma música mais experimental. Enfim, estava ampliando meu repertório e disse à minha mãe que não sabia se estava a fim de ir para Alemanha. Continuei estudando música erudita por mais alguns anos, o que foi essencial como músico, mas acho que já sabia mesmo que queria ser um artista com mais contato com o público.

Quando você descobriu que queria tocar para um público maior?

Acho que foi no Comício das Diretas Já, no Anhangabaú (em 1984). Toquei com o grupo Ânima naquele dia histórico ao lado de outros grandes artistas, e a energia daquela multidão me deu a certeza de que queria mesmo tocar para o povo.   

Além do Ânima, onde você fazia uma música mais experimental, você já estava tocando para outros grandes artistas populares, como Dominguinhos, Amelinha. Foi então que você conheceu o Nordeste?

Toquei como contrabaixista para Amelinha e toquei também com Dominguinhos, não apenas contrabaixo, mas flauta, mas o que precisasse. Lembro que nesse período, no final dos anos 1980, toquei com Dominguinhos em cima da boleia de um caminhão em um comício do Geraldo Bulhões, que, nessa época, se eu não me engano, ainda era candidato a deputado Federal. E aí tive a sorte de ser convidado pelo maestro Edmundo Cortes, pai do meu amigo e compadre Ed Cortes, para fazer um teste no Jô.

De Patápio Silva a Pixinguinha, o Brasil tem grande tradição na flauta. Você mesmo foi formado por grandes nomes como João Dias Carrasqueira, Altamiro Carrilho. Não se sente incomodado por ser mais conhecido como o Derico do Jô do que como grande instrumentista?

Não, até porque prefiro usar essa popularidade para dar mais visibilidade à música instrumental. Apesar da riqueza da música instrumental brasileira, são poucas as pessoas que conhecem ou tem oportunidade de ter acesso a esse tipo de música. E acredito que posso usar o privilégio que tive ao tocar no Programa do Jô para alavancar e ajudar a formar plateia. Agora mesmo, estou trabalhando no projeto Derico Music Truck em que percorrerei cidades para tocar música instrumental. O projeto vai virar um programa de TV pela EP TV, afiliada da Globo em Campinas.  É isso também que me faz, por exemplo, ir a Maceió para valorizar o trabalho de pessoas como Juan Mauren (criador em 1987 do programa Jazz Panorama, da Rádio Educativa, que ainda vai ao ar diariamente às 12h) que faz um trabalho importante de difusão da música instrumental aí, além, claro, do prazer de tocar com grandes músicos como o Felix Baigon e outros grandes nomes.

Daqui de Alagoas, você já tocou também com o Hermeto Pascoal...

Com o Hermeto, com Djavan, com Carlos Bala, com Ricardo Lopes. Em um Festival em Paulo Afonso, toquei com o Fernando Nunes (ex-baixista da Cassia Eller), uma pessoa extremamente generosa. Enfim, com um bocado de gente aí do Estado. Vou a Maceió desde 1987. E por muito pouco não virei alagoano.

Como assim?

 Houve um momento em que pensei seriamente em me mudar pra Maceió. Cheguei a negociar a compra de um apartamento na Ponta Verde, no Edifício Versalhes. Quando a documentação estava quase pronta, refleti melhor e recuei, já que teria que viajar toda semana para gravar em São Paulo. Além de ter de mudar a rotina de toda a família. E, como você sabe, nem sempre a malha de voos é favorável para essa rotina.

Preferiu manter Alagoas como destino de férias?

Exatamente. Conheço o Litoral de Alagoas de Norte a Sul. Já aluguei uma casa no Francês por meses, do Helvinho, do Rex Jazz Bar. Quando me hospedei no Litoral Norte, adorava caminhar durante horas pelas praias. Andava tanto que às vezes pra voltar tinha que pegar um ônibus. 

E na apresentação no Jazz Panorama, nesta quarta, o que você vai tocar?

Ah, vamos tocar João Bôscoli, Pixinguinha, Ivan Lins, José Roberto Bertrami, Cole Porter, Duke Ellington, Steve Wonder, Jaco Pastorius. Vamos chamar colegas para fazer canjas. Acho que vai ser bem legal.

SERVIÇO

Jazz Panorama ao Vivo – Com Clube do Jazz de Maceió e Derico Sciotti

Data: 27 de fevereiro de 2018Hora: 20h00

Local: Teatro de Arena, anexo ao Teatro Deodoro, na Praça Deodoro, Centro de Maceió.

Ingressos: R$ 40,00 inteira e 20,00 meia, com venda antecipada online com link emwww.jazzpanorama.com



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