Maceió há quase 100 anos: livro revela um dos mais importantes acervos fotográficos de Alagoas

Publicado em 28 de Dezembro de 2018

por Rodrigo Cavalcante

Como era a fisionomia das ruas, praças, casas, becos, igrejas, lojas e da orla de Maceió nas primeiras décadas do século passado?  

Quem quiser conferir imagens detalhadas da capital alagoana no início do século 20 conta agora com um guia precioso.

O Arquivo Público Alagoano, em parceria com a Imprensa Oficial, acaba de publicar o livro Olhares de Maceió por Luiz Lavenére (Gian Carlo de Melo Silva e Wilma Maria Nóbrega Lima), com mais de 150 imagens de um dos mais importantes acervos fotográficos do Estado.

O livro, com tiragem inicial limitada a 500 exemplares (que serão vendidos por R$ 110 no próprio Arquivo Público ou no site Quilombola), traz uma seleção de fotografias de Luiz Lavenère Wanderley (1868 - 1966), jornalista, funcionário dos telégrafos, pesquisador, musicista e um dos fotógrafos amadores mais importantes do Estado.

Amador, no caso, apenas pelo fato de não viver profissionalmente da fotografia.

Desde que, ainda criança, deparou-se com a câmara fotográfica e o material de laboratório pertencentes ao seu pai (Stanislau Wanderley, fotógrafo amador), Lavenère se apaixonou pelo universo da fotografia e decidiu clicar imagens da cidade (algumas usadas como cartões postais, impressos pela Livraria Fonseca) e outras que permaneceram na sua coleção particular.

Sorte dos alagoanos.

Com a aquisição dos negativos de Lavenère na década de 1960 pelo Arquivo Público, dirigido então pelo pesquisador Moacir Medeiros de Santana (cujo artigo pioneiro sobre a história da fotografia em Alagoas é reproduzido no livro), a coleção permaneceu armazenada por décadas (sem maiores cuidados) na instituição. Até que, nos últimos anos, pesquisadores como a professora de Arquitetura da Ufal Maria de Fátima Campello começaram a estudar e resgatar a importância do acervo, dando início ao trabalho de digitalização das imagens até então pouco divulgadas.

Entre essas imagens, é possível ver a orla da Pajuçara num tempo em que ainda não passava de uma vila de pescadores, antigos edifícios já demolidos como o do Teatro Polytheama, o traçado urbano da Avenida da Paz, as obras de construção e reformas de praças como a Deodoro e Floriano Peixoto (Na Praça dos Martírios), hotéis e lojas comerciais no Centro, além de procissões, festas e eventos curiosos como o provável primeiro pouso de um avião na areia da Praia da Avenida.

Apesar das fotos no livro não serem acompanhadas de legendas consistentes com estimativas de data e outros dados sobre as imagens (o que pode e deve ser incluído em uma próxima edição), trata-se de uma verdadeira viagem no tempo que revela apenas uma pequena mostra de tesouros até então esquecidos no Arquivo Público do Estado.

“O lançamento faz parte do esforço que temos feito nos últimos anos de trazer à luz algumas das joias do nosso acervo”, diz a atual superintendente do Arquivo Público, Wilma Maria Nóbrega. “Com o apoio do governo e de instituições parceiras como a Fapeal, pretendemos continuar esse trabalho de pesquisa e publicação de documentos importantes que resgatam a nossa história”.

 

Pajuçara

Avenida da Paz

Teatro Polytheama

Praça Deodoro 

Estação da Great Western

Praça Floriano Peixoto em obras (em frente ao Palácio) 

Avião pousando na Praia da Avenida

O fotógrafo Luiz Lavenére



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