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Ícone do jornalismo político brasileiro, alagoano Luiz Gutemberg é o entrevistado nesta quarta na Flipontal

Publicado em 29 de Novembro de 2018

Não seria exagero afirmar que o alagoano Luiz Gutemberg, entrevistado ao vivo nesta quarta (29) às 15h, na Festa literária do Pontal (no auditório da Escola Silvestre Péricles), é um dos últimos grandes representantes do melhor jornalismo político praticado no Brasil nos últimos 60 anos.

Em tempos de fechamento de jornais, de fake news e de proliferação de articulistas opinativos, Gutemberg é fruto de uma safra de jornalistas que sabe discernir a opinião rasa da análise política precisa, herdada de grandes nomes do jornalismo brasileiro como Carlos Castelo Branco, o Castelinho, companheiro de Gutemberg no Jornal do Brasil - cuja coluna diária era leitura obrigatória de quem quisesse decifrar o poder.

E foi exatamente no Jornal do Brasil que Gutemberg, após passagens pela Gazeta de Alagoas, teve a chance não apenas de iniciar a carreira cobrindo casos de repercussão nacional, como a prisão do pistoleiro alagoano José Crispim, como também de acompanhar de perto a lendária reforma editorial e gráfica no final dos anos 1950 que transformou o JB no mais importante diário do país.    

Desde que chegou a Brasília para trabalhar como editor assistente da Veja em 1969, Gutemberg teve a chance de conhecer de perto os bastidores e as intrigas do poder durante os governos militares, o que lhe permitiu anos depois escrever livros como O Jogo da Gata Parida, lançado em 1987, que ficou durante meses na lista dos mais vendidos da época. Apesar de esgotado, o livro até hoje é referência para quem quer entender como o Serviço Nacional de Informação, o SNI, influía diretamente na sucessão dos presidentes militares – grampeando telefonemas em busca de informações (inclusive de escapadas sexuais, como narra o livro) que pudessem comprometer os candidatos não chancelados pelo presidente. Não à toa, o livro é citado em obras de referência como A Ditadura Acabada, do jornalista Elio Gaspari.

Desde então, Gutemberg não apenas seguiu escrevendo romances sobre bastidores do poder (Rendez-Vous no Itamaraty, Cadastro Geral dos Suspeitos de Ódio ao Presidente), como biografias de grandes nomes como a de Ulysses Guimarães, romances como O Anjo Americano, peças teatrais como O Auto da Perseguição e Morte do Mateu, Auto da Lapinha Mágica, O Processo Crispim e até ensaios literários, como o que escreveu sobre o romance Angústia, do conterrâneo Graciliano Ramos. Criou também vaículos próprios para cobrir os bastidores do poder em Brasília como o José e o DF Brasília.

Após ter a oportunidade de trabalhar diretamente no Planalto como assessor no Governo Sarney e criar jornais como José e DF, Gutemberg se tornaria mais conhecido nos anos seguintes, claro, como o analista político da TV Bandeirantes – que cobriu de perto grandes momentos como a eleição de 1989 e o impeachment de Fernando Collor.

Nesta quarta (29), Luiz Gutemberg será entrevistado pelo jornalista e Editor do AGENDA A, Rodrigo Cavalcante, pela jornalista Eliane Aquino, pelo historiador Geraldo Majella e pela escritora Margarida Patriota. Gutemberg é o homenageado da festa este ano, comandada pelo incansável Carlito Lima. 



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