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De Marechal ao Catar: fábrica de cerâmica em AL dribla retração econômica com exportações

Publicado em 30 de Maio de 2017

Quando, no início da década, o grupo catarinense Portobello decidiu investir cerca de R$ 260 milhões na abertura da primeira fábrica de revestimentos cerâmicos (da marca Pointer) no Nordeste, em Marechal Deodoro, a economia do país ainda vivia tempos de euforia e demanda dos Estados da região crescia bem acima da média de outras regiões do país.

Em setembro de 2015, quando a planta foi inaugurada no Polo Industrial Aprígio Vilela, o cenário era outro.

Em meio a uma das maiores crises econômicas do país, a empresa precisou driblar a retração do mercado interno apostando também nas exportações, que representam quase 20% da produção da fábrica em Alagoas.

“Continuamos apostando no mercado regional, mas é claro que a mudança no câmbio e a retração no mercado interno nos obrigaram a buscar alternativas”, diz Ernani Albuquerque, superintendente comercial da Pointer. Segundo Albuquerque, além da demanda de países vizinhos na América do Sul, a Pointer exporta para o mercado norte-americano, para países da América Central, África do Sul e até para o Oriente Médio, como Catar.

Apesar da retração do mercado regional, o superintendente comercial da empresa diz que o grupo não se arrepende de ter escolhido Alagoas como destino da planta. “A escolha por Alagoas foi certa, não apenas pela proximidade da matéria prima como pelo ambiente ético e eficiente dos órgãos do governo em áreas como meio ambiente, gás e energia, entre outros fatores”, diz Ernani. “Nos sentimos seguros dentro do Estado de Alagoas”.

Questionado sobre os principais gargalos de infraestrutura no Estado, o representante da Pointer minimiza e diz que tratam-se de problemas nacionais, e não locais, já que, segundo ele, as condições das estradas para escoamento da produção até o Porto de Suape, no Sul de Pernambuco, são adequadas e não chegam a representar um entrave.

“Mas é claro que, se Alagoas contasse com um porto de containers próprio sem a necessidade do transporte até Suape, esse seria um diferencial competitivo importante não apenas para a Pointer como para atrair mais empresas ao Estado”.

Ainda de acordo com Ernani, apesar do recente retorno de um cenário de incerteza política nacional, o mercado interno do país vinha se reaquecendo desde abril. “Acredito que empresários e líderes de grandes redes de varejo concluíram que não é possível mais esperar um cenário político estável para movimentar o mercado”, diz Albuquerque. “Ao menos enquanto o comando macroeconômico não for alterado”.

E, ainda que a demanda do mercado interno volte a crescer futuramente num patamar semelhante ao de anos passados, ele diz que as exportações não devem perder força na pauta da fábrica. “Enquanto o mercado cambial for favorável, continuaremos a buscar atender a demanda externa”, diz Albuquerque. “Até porque em caso de um cenário extremamente positivo de rápida recuperação da demanda interna, temos condições de expandir nossa planta em Alagoas para atender ambos os mercados”.

Até lá, quem sabe, Alagoas pode tirar da prancheta o projeto de um novo porto de cargas fora da área urbana de sua capital. 



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