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Nordeste não crescerá apenas com novas indústrias, diz economista; veja entrevista

Publicado em 20 de Março de 2017

O economista pernambucano Alexandre Barros Rands, que dará uma palestra às 14h, nesta segunda (20), no auditório da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Ufal, ganhou projeção no país ao tentar provar com dados que o maior entrave para o desenvolvimento do Nordeste e do Brasil é, na verdade, a falta de qualidade do capital humano – causada pela defasagem e falta de eficiência da Educação no país.

Sua tese, apresentada originalmente para explicar o atraso do Nordeste no livro Desigualdades Regionais no Brasil, foi ampliada recentemente para explicar também o atraso econômico brasileiro no livro Roots of Brazilian Relative Economic Backwardness (Raízes do Relativo Atraso Econômico do Brasil), ainda sem edição brasileira.  

Antes da palestra promovida pela Feac, na Ufal, Rands, sócio da Consultoria Datamétrica, respondeu as perguntas abaixo para AGENDA A:

Sua tese contraria a ideia de que o entrave ao desenvolvimento do Nordeste e do país estaria na produção de bens primários e em nosso atraso industrial. Ou seja, é mais importante investir em Educação no que no esforço de atrair empresas para uma região?

Claro que é essencial atrair empresas e fomentar polos econômicos. O que tento mostrar é que, sem uma melhoria no capital humano, o atraso relativo do Nordeste em relação a outras regiões do Brasil, e do Brasil em relação a outros países do mundo, não diminuirá. Os dados que analisamos sinalizam, com clareza, que são as diferenças de disponibilidade de capital humano que explicam essa disparidade. E essas diferenças não desaparecem pela simples atuação das forças do mercado.

Ou seja, o Estado precisa ter um papel de intervenção maior para garantir educação de qualidade maciça?    

Acredito que o Estado tem, sim, um papel essencial para acelerar esse processo. Não diria de intervenção, mas de coordenação, seja para tornar mais generalizado o ensino fundamental e médio, seja para melhorar a qualidade do ensino médio via escolas de tempo integral, por exemplo. Acredito que esse papel de coordenação é muito mais eficaz para o desenvolvimento de uma região do que, por exemplo, as tradicionais políticas de intervenção direta via subsídios que privilegiam alguns setores e, ao fim, não diminuem a desigualdade seja dentro de um Estado, seja entre regiões do país.

Para um Estado como Alagoas, por exemplo, cujos governantes estão sempre ansiosos para anunciar a chegada de um novo polo industrial, seria mais importante então garantir ensino de alto padrão para todos?  

Seja em Alagoas ou no Brasil, nosso atraso relativo não será superado sem uma mudança no patamar da qualidade do capital humano. É preciso, sim, atrair polos industriais, mas, se esses polos não contarem com disponibilidade de capital humano de qualidade, eles não terão impacto significativo na redução das desigualdades. Além disso, é essencial fomentar a expansão de polos baseados nos potenciais e vocação econômica da região. Do que adianta, por exemplo, atrair uma montadora de veículos para um local se boa parte dos engenheiros e mão de obra qualificada tiver que ser importada de outras regiões? Sem investimento em capital humano, esses polos correm o risco de se tornarem ilhas desconectadas do mercado local. Daí a importância de contar com centros de formação e pesquisa integrados como, por exemplo, o polo de informática da Universidade Federal de Pernambuco é essencial ao Porto Digital. Sem essa integração, o Estado termina perdendo seus melhores talentos para outros centros.

Serviço

Palestra: Raizes do atraso econômico relativo do Brasil

Data e local: 20/03, às 14h, Auditório da FEAC

Palestrante: Alexandre Rands - PhD pela Universidade de Illinois e presidente da Consultoria Datamétrica.

Dias: 28 e 29/03:



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