Dica de presente às crianças de Maceió: devolvam a elas o “horto florestal” da Fernandes Lima

Publicado em 12 de Outubro de 2017

por Rodrigo Cavalcante

Não lembro exatamente da primeira vez em que estive lá.

Deve ter sido no início dos anos 1980, em um passeio com a turma da Casa Escola Montessoriana, dirigida pela “tia Valderez” – com vários retornos já na adolescência, no Colégio Sacramento, inclusive para as filmagens de clássicos da aula de Literatura do professor Renilton.

O fato é que, até o início dos anos 1990, a área de quase 55 hectares de matas encravada em plena avenida Fernandes Lima (em frente ao Hiper, agora Walmart), conhecida então como Horto Florestal, recebia centenas de grupos de crianças para passeios em suas trilhas. 

Desde que a antiga reserva do extinto IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) se tornou sede da superintendência do Ibama em Maceió, em meados dos anos 1990, o espaço foi fechado ao público e se tornou um centro burocrático e de triagem para receber madeiras nobres cortadas ilegalmente (que costumam apodrecer por lá quando não há para quem doar) e animais silvestres apreendidos em comércio ilegal.

Sim, vez ou outra há animais silvestres por lá, de macacos-prego a tamanduás. 

Infelizmente, nem você nem seus filhos podem visitá-los.

Como explicar que, em uma cidade de um milhão de habitantes com apenas um Parque Municipal de difícil acesso via Bebedouro, possa existir um oásis de verde com animais silvestres, de frente à Avenida Fernandes Lima, completamente fechado ao público?

Ainda que boa parte do imenso terreno faça parte de uma reserva de Mata Atlântica - que não pode, claro, virar uma espécie de Parque Ibirapuera de Maceió do dia para a noite - , quem a conhece sabe que a área conta com amplos trechos reflorestados, inclusive de eucalipto, que poderiam ser, sim destinadas ao público. Para isso, basta a realização de um bom plano de manejo que delimite áreas de visitação e outras mais reservadas destinadas a trilhas monitoradas por guias e educadores ambientais.

Por que não demarcar uma parte da área frontal do parque para um centro de educação ambiental aberto à visitação, ou um Parque de Aves? Será que nem a Prefeitura ou o Governo de Alagoas, com representantes tão influentes em Brasília, não teriam força para convencer o Ministério do Meio Ambiente a permitir que um trecho inicial da área se transformasse em um centro educacional com presença de animais?

Até lá, só resta aos alagoanos mais velhos recordarem dos passeios no horto – e levarem seus filhos para outros centros com plantas e animais em Estados vizinhos.



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