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HQ sobre Quilombo dos Palmares que venceu Prêmio Jabuti pode virar filme; saiba mais aqui

Publicado em 11 de Janeiro de 2019

Uma História em Quadrinhos sobre Palmares, a maior confederação de quilombos que chegou a reunir 20 mil habitantes na Serra da Barriga, em União dos Palmares, deve em breve ser adaptado para a TV ou cinema.

“Angola Janga” (Pequena Angola) – Uma História Sobre Palmares, que levou ano passado o Prêmio Jabuti na categoria História em Quadrinhos, despertou não apenas o interesse de produtoras, como também foi aprovado ano passado no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) - podendo ser adotado por escolas públicas em todo o país.

O autor da obra, o paulistano Marcelo D´Salete, que também ganhou em setembro do ano passado o prêmio HQMIX (considerado o Oscar dos quadrinhos no Brasil), falou abaixo à AGENDA A sobre a obra que o fez vir em 2012 a Alagoas visitar o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em União dos Palmares.

AGENDA A: Apesar da importância histórica do Parque, o Memorial Quilombo dos Palmares continua pouco visitado. Qual foi a sua impressão do Parque e o que você acha que falta para que ele seja de fato um dos centros históricos mais visitados do país?

Marcelo D´Salete: Estive no Parque já faz alguns anos, em 2012, e, na época, seus arredores estavam um pouco deteriorados com pouca sinalização de de como chegar lá. Não sou especialista na área, mas acredito que, para que o parque seja mais visitado, é preciso investir mais em divulgação e treinamento das pessoas que moram na região. É preciso criar bons roteiros de visitação, enfim, investir mais em informação para que ao menos as pessoas que moram em União dos Palmares, em Maceió, Alagoas, e em todo o Nordeste, possam estar mais conscientes da real importância do local para a história do Brasil.

Como a visita ao Parque ajudou seu trabalho?

A visita foi essencial para que eu conseguisse obter referências de imagens. Afinal, em Angola Janga, como toda HQ, a história é contada basicamente por meio de imagens. E a visita foi importante para eu conseguir referências da paisagem e do entorno de Palmares.

“Angola Janga” foi um dos livros aprovados no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para ser adotada por escolas públicas do país. Você enxerga algum risco do livro sofrer algum tipo de embargo diante da política do novo governo?      

“Angola Janga” e “Cumbe” (outra HQ do autor que trata da luta dos negros contra a escravidão) foram aprovadas no PNLD e deverão ser distribuídos nos próximos meses. Foi uma seleção realizada no último ano, não no governo atual. Mas, a gente sabe muito bem que, este governo, geralmente, usa estratégias nem sempre éticas para excluir outras visões de mundo. E por isso precisamos ficar ficar atentos. Inclusive para fazer a crítica necessária contra modelos que pretendem excluir visões da nossa história que são essenciais para compreender a nossa sociedade. As novas gerações merecem ter uma Educação com acesso a uma diversidade de visões que vão de encontro a visões extremamente conservadoras que estão atualmente atacando e excluindo outras formas de compreender nosso passado.  

É verdade que produtores de TV e Cinema querem adaptar o livro para o cinema e tv? Há negociações concretas nessa direção?

Há interesse, sim, de algumas produtoras em transformar essas obras em projetos para o audiovisual. Mas ainda estamos conversando sobre isso.

Após os sucesso de Angola Janga, seu novo trabalho deve seguir a mesma temática?

Tenho a intenção de trabalhar com alguns temas históricos, sim, mas acredito que a próxima obra terá um tema mais contemporâneo. Mas ainda estou na fase de estudos.

 

  

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