“Um bom chef não precisa gritar na cozinha”, diz alagoano que divide opiniões no MasterChef

Publicado em 06 de Setembro de 2018

Aos 26 anos, o chef alagoano Paulo Quintella confessa ainda não ter como avaliar bem a avalanche de reações (principalmente nas redes sociais) de sua participação no MasterChef Profissionais, reality da TV Bandeirantes em que ganhou popularidade com o jeito tranquilão, de fala mansa (segundo alguns quase chapadão), na contramão dos programas de gastronomia comandados por chefs-generais gritando comandos aos subordinados.

“Tenho horror à concepção da cozinha como um ambiente militarizado em que um chef precisa gritar e humilhar a equipe para alcançar seu objetivo”, diz Paulo Quintella. “Na minha experiência, uma boa conversa funciona melhor do que um grito”.

Apesar da dúvida quanto à reação do público à personalidade do chef nas redes sociais, Quintella tem ao menos a certeza de que, para o seu novo restaurante Aratu, na Massagueira, a participação no programa nacional já fez diferença. “Desde o primeiro episódio, acredito que triplicamos nosso movimento e faturamento”, diz Quintella, que largou em Maceió os cursos de Engenharia Ambiental e de Medicina Veterinária para fazer o que mais gosta - agora, em rede nacional.

Abaixo, Quintella falou a AGENDA A sobre sua atuação e bastidores do programa.

AGENDA A: Após o episódio da noite do dia quatro, sua forma “tranquilona” de liderar a equipe amarela na maior prova do Masterchef dividiu as redes sociais entre fãs e “agoniados” com seu excesso de calma. Como você avalia as reações?

Paulo Quintella: Para ser franco, ainda não tenho uma avaliação muito clara do impacto desse segundo episódio. Até porque tudo pode mudar a depender da edição que vai ao ar já que, por questão do tempo, a produção precisa selecionar aspectos com maior repercussão também na audiência. O balanço que fiz da minha participação do primeiro episódio foi só alegria. Nesse segundo, acho que minha mensagem não foi transmitida.

Qual mensagem?

A mensagem de que é possível liderar e vencer uma prova sem ter que adotar o perfil do chef enérgico que grita para pressionar a equipe. Enfim, a falsa ideia de que, para ser um bom chef, é preciso comandar a equipe como se estivéssemos em um quartel. Tenho horror a essa noção de que um bom chef precisa gritar e humilhar sua equipe e acredito que uma boa conversa pode ser mais eficiente do que um grito.

E por que essa mensagem não foi transmitida?

Como a edição precisa resumir muitas horas em alguns minutos, acredito que muita gente teve a impressão de que fiquei vários minutos parado pensando, meio como um paspalhão, sem levar em conta a importância da estratégia que traçamos para vencer a prova. Foi como se tivéssemos levado a prova por sorte, e não pela estratégia de quem estava no comando.

E qual foi essa estratégia?

A estratégia, clara, era fazer um prato com foco no público que nos iria julgar (350 pessoas de uma partida de basquete no ginásio), e não nos jurados, com conceito e paladar mais sofisticados. Se a prova fosse no estúdio para os jurados, por exemplo, faria uma receita completamente diferente, bem mais autenticamente mexicana, em vez do prato que fizemos, no estilo tex-mex (fusão da cozinha mexicana e estadunidense), bem mais ao gosto da plateia. E o resultado foi que ganhamos a prova, apesar das críticas dos jurados.

 A crítica de que você ficou muito tempo parado pensando, sem meter a mão na massa...

Isso, como se adiantasse ficar metendo a mão na massa apenas para transmitir uma ideia de ação, sem parar para pensar em uma estratégia vencedora. E o fato é que a estratégia foi vencedora. Mas claro que não dá para pôr tudo o que acontece lá em um episódio de alguns minutos. No primeiro episódio, por exemplo, falamos informalmente muita besteira no programa entre a gente e, dependendo da frase que vai ao ar, pode ter um peso maior. O Daniel, por exemplo, que apareceu muitas vezes criticando a Simone, é muito amigo dela lá, assim como meu, o que nem sempre fica claro aqui de fora. A Tatiana Brasil, que falou um bocado de coisa lá, terminou tendo uma ou duas frases selecionadas que fizeram com que muita gente tivesse outra ideia de quem ela é. Mas tudo isso faz parte do jogo e do formato. E a experiência é fantástica.

Experiência na gastronomia ou de resistência à pressão psicológica?

Até em função do tempo de cada prova, praticamente só temos tempo para fazer rascunhos, não obras gastronômicas. Mas a experiência e a relação intensa com as pessoas é algo único, uma rede de amigos e contatos que levamos conosco para sempre. Além disso, apesar de ser tímido e avesso a representar um papel que não sou eu, a participação no programa tem sido fundamental para dar visibilidade ao meu restaurante (Aratu, na Massagueira). Desde o primeiro episódio, acredito que o movimento e o faturamento dele triplicou e estou curtindo também, claro, receber o carinho do público.

 Como na música de Bob Marley, você sempre teve esse jeitão “Don´t worry...”?

Na verdade, costumo ficar ansioso no dia antes de entrar em ação, até definir uma estratégia. Mas, durante a prova, procuro manter a calma total, até porque nesse momento a tensão só atrapalha. Mas sempre fui tímido, reservado, mais tranquilo e ligado à natureza. Antes do programa, nunca tinha assistido a um reality como esse. Sempre gostei de andar na mata, de surfar. Meu local preferido do mundo é Morros de Camaragibe e acho que encontrei na gastronomia uma jeito de lidar com todos esse elementos.

por Rodrigo Cavalcante

Veja abaixo trecho do espisódio da terça (4) em que Quintella comanda a equipe em uma das maiores provas do MasterChef.



  • Ideias
  • Agenda A ideias é um espaço plural discussão de temas comprometidos com a melhoria do ambiente de negócios e da qualidade de vida dos alagoanos.

  •  
  • Turismo
  • Vídeos

© AGENDA A 2013. All rights reserved