Alagoano foi um dos mais importantes diretores do Museu Nacional incendiado nesse domingo

Publicado em 03 de Setembro de 2018

Ele é apontado como um dos mais importantes diretores dos 200 anos de história do Museu Nacional e o foi o responsável, em 1892, por conseguir a transferência do acervo para a ex-residência do imperador, o Palácio da Quinta da Boa Vista, consumido em chamas na noite deste domingo.

Nascido em Maceió, em 1838, o alagoano Ladislau de Souza Mello e Netto partiu em 1854 para o Rio de Janeiro, chegou a ingressar na Academia de Belas Artes, mas se destacaria mesmo pela sua atuação de desenhista de espécies botânicas ao ser integrado à Comissão de Estudos Hidrográficos do Alto São Francisco em 1859 – sendo reconhecido e premiado com apoio financeiro da Corte para realizar estudos em Paris (1864-1866), onde frequentou os cursos da Sorbonne e do Jardim das Plantas de Paris.

Ao voltar da França, o alagoano foi convidado pelo imperador a dirigir a Seção de Botânica do Museu Nacional, assumiu o cargo de diretor-substituto do Museu, em 1870 e, em 11 de novembro de 1874, assumiu a direção da instituição após o falecimento do então diretor do Museu, Freire Allemão.

Durante os quase 20 anos de sua gestão (1874-1893), o alagoano foi responsável por uma verdadeira revolução administrativa do museu (inicialmente localizado em casa nos arredores do Campo de Santana), que passou a ser estruturado segundo os moldes de grandes museus europeus, sendo sua gestão considerada um exemplo de eficiência por “dedicar-se à administração sem negligenciar o setor científico”, como atesta um texto biográfico dos diretores do Museu Nacional.

Além de grandes obras de infra-estrutura em todo o prédio, melhorando-se as acomodações para o acervo e tornando-o mais adequado para a concepção científica de museu da época, Ladislau Netto foi o responsável pela criação da revista trimestral Os Archivos do Museu Nacional, essencial para divulgar as pesquisas e o acervo do museu brasileiro, assim como para aumentar o intercâmbio e troca com os museus estrangeitos.

Em 1882, organizou  no museu uma das primeiras exposições científicas brasileiras de repercussão internacional, a Exposição Antropológica Brasileira, que reuniu objetos etnológicos indígenas do país inteiro (parte deles que deve ter sido destruída no incêndio deste domingo). 

Mesmo após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, Ladislau Netto manteve-se à frente do Museu até 1893 (um ano antes de sua morte) – que, além de trocar de nome (de Imperial para Nacional), foi transferido em 1892, a pedido do alagoano, para o Palácio da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, que foi incendiado nesse domingo.

 


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