Uma das maiores consultoras de tendências do país fala sobre potencial da arte de Alagoas

Publicado em 16 de Março de 2017

Desde 2010, a paulistana Lili Tedde é a representante no Brasil da Trade Union, uma das maiores consultorias globais de tendências no mundo da moda e do design, comandada em Paris pela holandesa Li Edelkoort - eleita pela revista Time como uma das 25 pessoas mais influentes na área, com clientes como a Coca-Cola, Warner, Gap, Lacoste e LOréal, entre outros.

Pouco antes do lançamento em Maceió nesta quinta (16), a sede do Iphan, da segunda edição especial sobre o Brasil do livro-revista Bloom, referência internacional da consultoria que conta em sua nova edição com designers e artistas alagoanos, Lili Tedde falou a AGENDA A sobre como Alagoas pode reforçar sua referência em design, arte popular e artesanato.

AGENDA A: A Trade Union é conhecida por descobrir novas tendências e novos artistas no mundo inteiro. Como o trabalho dos designers e artistas alagoanos entrou no radar de vocês?

Desde que lançamos a primeira edição especial sobre o Brasil da Bloom, em 2014, buscamos incluir o trabalho de grandes artistas de todo o país. Já conhecia, por exemplo, o trabalho do designer alagoano Rodrigo Ambrósio e peças dele como a “cadeira de rapadura”, além de outros trabalhos que me encantaram pela qualidade, pureza e simplicidade. Quando, em 2016, tive a oportunidade conhecer no Carnaval ao lado de amigos a Ilha do Ferro (povoado de Piranhas), fiquei ainda mais encantada não apenas com a atmosfera do local, como com a concentração e a qualidade dos artistas da região.

O que mais lhe surpreendeu ao desembarcar no povoado?

Já esperava, claro, encontrar os famosos móveis de madeira e raízes que tornaram a Ilha do Ferro conhecida em todo o país. Mas, ao chegar lá, encantei-me ainda mais com o astral e a atmosfera especial da região com a beleza de suas casinhas românticas, a sutileza do artesanato e esculturas dos artistas locais, o trabalho da Maria Amélia e do Dalton (fundadores da galeria Karandash) enfim, foi um Carnaval inesquecível. Algo que também me surpreendeu foi a convivência entre o metódico trabalho das mulheres no bordado com a liberdade e a loucura criativa do trabalho dos homens com suas esculturas.  Apesar de ter vindo relaxar no feriado, claro que aproveitei para conhecer mais sobre os artistas locais e, em meio à seleção da nova edição da Bloom, decidimos incluir algumas das obras desses artistas. (A edição especial Bloom “Fé” destacou a instalação “Pássaros do Sertão”, de Dalton Costa e Jasson, além das peças cadeira Engenho e Mancebo Kaeté, do designer Rodrigo Ambrósio).

Como representante no país de uma consultoria que caça tendências no mundo inteiro, como você enxerga o potencial de projeção do artesanato e da arte alagoana?  

Sou suspeita para falar de Alagoas porque eu e meu marido somos apaixonados pela região, já cogitamos até em comprar um terreno em Milagres. Acredito, contudo, que é essencial fomentar parcerias para a valorização do artesanato e da arte popular no Estado. Desde que se tenha o cuidado de respeitar a identidade e ouvir, de verdade, o que pensam e querem os moradores do local, é possível fomentar parcerias com designers e consultores para instigar ainda mais os artesãos locais a criar sem serem castrados pela demanda de uma padronização para atender as feiras de artesanatos locais, por exemplo. Tudo, claro, mantendo a espontaneidade e a alegria dos criadores.   



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