Antes de anunciar aeroporto em Maragogi, Renan Filho deveria fazer visita a Madrid

Publicado em 02 de Jul de 2019

por Rodrigo Cavalcante

Rua Peonías, nº 12, 7º andar, Madrid.

Esse é o endereço da Aena Desarrollo Internacional, empresa público-privada da Espanha que venceu o leilão para gerir nos próximos 30 anos seis aeroportos do Nordeste, incluindo o Zumbi dos Palmares, em Alagoas, e o de Recife, um dos mais movimentados no Brasil.

O investimento de R$ 1,9 bilhão do grupo espanhol prova que a Aena, que administra 46 aeroportos na Espanha e comanda 71 operações em todo o mundo, não veio ao Nordeste para brincar e tem planos claros para lucrar alavancando o turismo na região.

A Espanha, afinal, soube se tornar nas últimas décadas uma das primeiras potências mundiais no turismo – chegando a ultrapassar os Estados Unidos em 2017 em número de visitantes internacionais ao receber 82 milhões de turistas.

Isso mesmo: 82 milhões de turistas visitaram a Espanha, com área menor do que a Bahia, enquanto todo o Brasil no mesmo ano recebeu apenas 6,5 milhões – em recorde superior aos anos das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Sede de cadeias de resorts internacionais como Iberostar, Meliá, entre outros, o turismo movimentou naquele ano na Espanha cerca de 87 bilhões de euros – quase 380 bilhões de reais na cotação atual.

Caso Alagoas almeje, de fato, consolidar-se como destino turístico, um dos únicos setores que se expande no Estado em meio à quebradeira geral de usinas (e agora da incerteza quanto ao futuro da Braskem), nada mais natural que o Governo do Estado aproveite o momento para traçar uma agenda estratégica mais ousada para o setor.

E o foco dessa agenda passa, necessariamente, por dois pontos.

O primeiro é convencer a Aena a enxergar o Zumbi dos Palmares como um de seus ativos mais importantes para o turismo do Nordeste, garantindo que, depois do Aeroporto de Recife, o terminal seja ao menos o segundo mais importante para a companhia dentre os seis arrematados no Nordeste.

E o segundo é convencer a Aena a ajudar o governo na criação de um plano de atração de investimentos da hotelaria espanhola em Alagoas, principalmente com foco em resorts, equipamentos capazes de alavancar o número de visitantes internacionais ao Estado.

Em véspera de ano de eleições municipais, contudo, o governo corre o risco de perder o foco para investir em grandes obras com resultados questionáveis para o Estado.

Uma delas é o anúncio da construção de um Aeroporto em Maragogi.

Ainda que Maragogi mereça, há tempos, um terminal para pouso de pequenos aviões, faz sentido construir um aeroporto para aeronaves de grande porte em um destino a pouco mais de 130 quilômetros do Zumbi dos Palmares – dividindo ainda mais o fluxo do nosso aeroporto internacional ainda hoje subutilizado?

E mais: uma vez construído, quem arcará com os custos de manutenção do aeroporto?

Antes do anúncio das obras de um novo aeroporto (que não é considerado prioritário sequer por alguns investidores em Maragogi, que sabem que a duplicação da AL 101 Norte até lá teria um impacto bem maior), uma visita a trabalho (e não a lazer) no endereço acima em Madrid pode ajudar o governo a ter uma perspectiva mais global (e menos provinciana) de como alavancar o turismo local.



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