Alagoas, Quinta, 22 de Agosto de 2019
  • Enviar e-mail
  • Facebook

Como a restauração de um forte holandês em Porto Calvo pode turbinar o turismo histórico em AL

Publicado em 20 de Maio de 2019

A cidade belga de Waterloo atrai milhares de turistas por ter sediado a grande vitória da força britânica contra o exército de Napoleão.

A cidade norte-americana de Gettysburg, na Pensilvânia, atrai anualmente milhares de turistas por ter sido campo da batalha mais sangrenta da Guerra Civil daquele país de 1 a 3 de julho de 1863.

A cidade alagoana de Porto Calvo, sede de algumas das batalhas mais importantes entre holandeses e luso-brasileiros no século 17, não consegue atrair, contudo, nem uma ínfima porcentagem dos milhares de turistas que visitam as imediações em busca das praias, pousadas e resorts de Maragogi, Japaratinga e São Miguel dos Milagres.

Mas isso pode mudar em breve.

A entrega quarta-feira passada (15) da obra de restauração de um parque com o traçado do pequeno forte com 40 metros de largura e 40 de comprimento, o Fortim Bass, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), deve ser o pontapé para a valorização do turismo histórico na região.

“A disputa pelo Novo Mundo está aqui. Esse forte é de projeção mundial. Isso vai ser um dos lugares mais incríveis do Brasil e do mundo”, disse a presidente nacional do Iphan, Kátia Bógea, na cerimônia em que o Iphan repassou a administração do fortim à gestão municipal.

E ela não está exagerando.

Afinal, quatro séculos atrás, Porto Calvo aparecia em destaque no mapa do Brasil nos primeiros atlas mundiais como um dos centros mais importantes da produção de açúcar da América do Sul, tornando-se ainda mais famosa como campo de grandes batalhas entre luso-brasileiros e holandeses – e não apenas pela figura de Calabar, personagem histórico que ganhou fama por ter lutado ao lado dos holandeses, o que o levou a ser condernado à morte e esquartejado.

Foi nas imediações de Porto Calvo, já em Porto de Pedras, por exemplo, que se deu a grande Batalha de Mata Redonda, uma das mais sangrentas do período que resultou na morte do nobre espanhol Dom Luís de Rojas y Borja, à frente das tropas portuguesas (no tempo em que Portugal foi incorporado ao reino espanhol pela União Ibérica).

Já o Fortim Bass, identificado em meados de 2013 nas margens do rio Manguaba, na Ilha do Guedes, é um provável acampamento de Johannes Lichthard, um almirante neerlandês a serviço da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais entre 1637 e 1645.

Se depender do arquiteto Mário Aloísio, superintendente do Iphan em Alagoas, a restauração do fortim será o primeiro de uma série de projetos que incluem centros de observação, museus e outros equipamentos para a valorização do turismo histórico na região.

“A restauração do fortim tem tudo para ser o primeiro passo de uma ação mais ampla de criação de rotas que ajudem a agregar mais valor e qualidade ao turismo na região com o resgate de um capítulo importante da história de uma guerra global pelo domínio do do açúcar”, diz o arquiteto, lembrando da importância da criação de equipamentos de apoio como restaurantes, entre outros, para a manutenção sustentável desses espaços.

Quem sabe, assim, a Porto Calvo imortalizada no século XVII em livros como o do escritor e humanista holandês Gaspar Barléu, que narrou os feitos de Maurício de Nassau no Brasil (com destaque para a tomada de Porto Calvo), não resgate ao menos um pouco da sua glória passada tão pouco lembrada pelos turistas hospedados nas praias da região.   

por Rodrigo Cavalcante



  • Ideias
  • Agenda A ideias é um espaço plural discussão de temas comprometidos com a melhoria do ambiente de negócios e da qualidade de vida dos alagoanos.

  •  
  • Turismo
  • Vídeos

© AGENDA A 2013. All rights reserved