“Alagoas já tem hotéis e restaurantes para os mais exigentes clientes globais”, diz especialista em luxo

Publicado em 03 de Maio de 2018

Após ajudar, ainda nos anos 1990, na projeção da  Louis Vuitton no Brasil como presidente da marca, Carlos Ferreirinha tornou-se uma das referências nacionais do mercado de luxo e criou, em 2001, o primeiro MBA de Gestão de Luxo do país em parceria com a FAAP.

À frente da MCF Consultoria, Ferreirinha voltou esta semana a Maceió para participar de uma palestra na loja alagoana da estilista Martha Medeiros – e falou a AGENDA A sobre como Alagoas pode tirar proveito desse mercado.

AGENDA A: Há mais de cinco anos, você afirmou que hotéis de luxo como o Fasano, o Emiliano e o Copacabana Palace não deixavam nada a dever aos hotéis do mais alto padrão internacional. Como você avalia hoje a hotelaria no Nordeste e a de Alagoas?

Desde então, posso dizer, sem dúvida nenhuma, que a hotelaria do Nordeste passou por uma mudança significativa, inclusive em Alagoas, que hoje conta com resorts e pousadas reconhecidos pelo mais alto padrão de atendimento. O Kenoa Beach Resort, na Barra de São Miguel, é destaque não apenas no Brasil, como internacionalmente, tendo sido premiado e indicado como um dos melhores da América Latina. As pousadas do Litoral Norte, como a Pousada do Toque, entre outras, reposicionaram o padrão de hospitalidade da região. Toda essa mudança, somada ao incremento da gastronomia alagoana, com restaurantes com o padrão do Akuaba/Vera Moreira, do Divina Gula, entre outros, tem ajudado a provar que Alagoas possui estabelecimentos para atender bem os mais exigentes clientes globais. É claro que esse movimento traz um impacto muito positivo para reposicionar o turismo no Estado e precisa ser valorizado. 

Você conhece bem Alagoas e já esteve aqui em outras ocasiões. Em que o Estado deveria investir para oferecer uma experiência diferenciada para o turista?

Há uma tendência cada vez maior na busca de experiências e narrativas locais autênticas. Nesse sentido, o Nordeste sai na frente, já que a força da cultura regional é bem mais expressiva. Não se trata, claro, daquele tipo de apresentação folclórica padronizada e cheia de clichês “para o turista ver”. Estamos falando de contatos com a arte popular e com a cultura local autêntica. Contato com quem produz a arte popular, com quem produz a comida regional. Em São Paulo, você pode comer nos melhores restaurantes, mas se sentirá quase sempre em uma cidade global, como outras grandes cidades do mundo. Em Alagoas e outros Estados do Nordeste, há um atendimento mais humanizado que, quando aliado a um padrão de gestão de excelência, faz toda a diferença.

O segredo então está no equilíbrio de um alto padrão de excelência aliado à simplicidade?

Exatamente. Mas, é preciso ter cuidado para não confundir a simplicidade com o simplório. É claro que a experiência “pé na areia limpa”, sem sujeira ou outras formas de poluição sonora ou visual, são pré-requisitos básicos para atender qualquer turista com um alto padrão de expectativa. Mas o consumidor do mercado de luxo também quer, além da areia e do mar limpo, uma cama com lençol de seda, seu rótulo preferido de espumante na temperatura adequada, enfim, um padrão de serviço que não pode ser descuidado em nome de uma falsa espontaneidade. Nesse sentido, preservar e cuidar da limpeza da orla, ou impedir que alguém ligue o som alto de seu automóvel, não tem nada a ver com elitismo ou atendimento de luxo. Tem a ver com respeito à convivência, com educação, civilidade. Civilidade que, nem sempre, está relacionada a diferenças de classes sociais, já que muitas pessoas com alto padrão de consumo também não a têm.   

por Rodrigo Cavalcante

 




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