Marca alagoana de leite orgânico ganha destaque no país com entrada na área de gigantes como Nestlé

Publicado em 04 de Jul de 2017

Desde que se tornou conhecida nacionalmente entre os consumidores de redes de varejo no sudeste como Pão de Açúcar e Casa Santa Luiza, a marca de leite orgânica Timbaúba, produzida em Cacimbinhas, entre o agreste e o Sertão Alagoano, conquistou uma fatia cada vez maior no nicho de lácteos orgânicos no país, sendo responsável hoje por cerca de 15% da produção nacional.

Com 90% da produção dos 110 mil litros por mês voltada para o mercado dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (os alagoanos consomem apenas 5% da produção, apesar do litro do leite orgânico aqui custar 30% a menos do que em São Paulo),  o recente interesse pelo setor de gigantes de laticínios como a suíça Nestlé tem dado ainda mais impulso à marca alagoana que deve expandir esse ano sua produção em mais de 20%.

“Como o nicho de lácteos orgânicos no Brasil representa menos de 0,05% do consumo do setor, a entrada de gigantes com a força da Nestlé termina ativando todo o mercado e beneficiando a cadeia”, diz o agrônomo alagoano Osmando Xavier, um dos sócios à frente da empresa ao lado do irmão Eriberto e do pai Osman Xavier.

Osman, agrônomo formado pela Ufal que passou a se interessar pela cultura orgânica após um curso de especialização no ano 2000 comandada por Ana Maria Primavesi (pesquisadora austríaca radicada no Brasil que revolucionou o setor), convenceu a família a entrar no mercado produção de orgânico no país fazendo da Timbaúba uma das quatro primeiras produtoras certificadas para a produção de leite orgânico do país em 2002.

Como o leite orgânico é, basicamente, um leite produzido sem a utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos na produção dos alimentos que a vaca come (além disso, a vaca não pode receber hormônios para uma maior produção nem os medicamentos usuais na produção convencional), os custos mais elevados de produção e a falta de uma cultura de consumo de orgânicos obrigou à época a empresa a criar uma nova marca, Mainha, que hoje ainda representa cerca de 60% do faturamento da produção.

Com a aposta recente da Nestlé no estímulo à certificação de produtores no interior de São Paulo para investir em linha de lácteos orgânicos, a marca alagoana passou a ganhar mais destaque no país pelo pioneirismo, sendo citada esta semana em reportagem do jornal Valor Econômico como “uma das marcas mais conhecidas” de leite orgânico do país.

Após mais de 12 anos de produção enfrentando dificuldades para abrir nichos de mercado de leite orgânico do país, a empresa alagoana já se prepara para duplicar a produção nos próximos cinco anos, assim como expandir a linha de derivados que já estão no mercado como coalhada, creme de leite, manteiga e requeijão.  



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