Alagoas, Quinta, 22 de Agosto de 2019
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O que falta para Alagoas virar referência em energia solar? Veja o que diz especialista

Publicado em 31 de Maio de 2019

Ao menos quando comparado com outros Estados do Brasil, Alagoas ainda está muito aquém do seu potencial de geração de energia solar.

De acordo com os dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o Estado é lanterninha no Nordeste na geração de energia solar fotovoltaica, produzindo, por exemplo, menos de um quinto da energia de Estados como Ceará e Pernambuco – e cerca de um terço do que é produzido na Paraíba e no Rio Grande do Norte (que também é uma potência de energia eólica).

Para ajudar a mudar esse quadro, Sebrae, Senai, Federação das Indústrias e Governo do Estado promoveram quinta passada o seminário Energia Solar, com a presença de especialistas como Bárbara Ferreira Rubim, vice-presidente do Conselho de Administração da Absolar. Após a palestra, Bárbara falou a AGENDA A sobre como Alagoas poderia dar um salto na área.

AGENDA A: Em um dos gráficos que você mostrou, Alagoas aparece na lanterninha do Nordeste e entre os últimos do país em geração de energia solar fotovoltaica. O que se pode fazer para sair dessa posição?

Um dos passos mais importantes já foi dado quando o Governo do Estado assinou em 2016 o decreto que regulamenta o Convênio 16 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que isenta o ICMS cobrado sobre a geração distribuída de fontes renováveis. Esse convênio faz com que o excedente de energia gerado que é injetado na rede não seja tributado. Não à toa, desde então, houve um crescimento significativo de geração de energia solar voltaica no Estado.

Ainda assim, quando comparado a Estados do Nordeste, Alagoas continua em último. Em que modelos o Estado poderia se espelhar para alavancar a geração de energia solar?

Não existe uma só política, existem várias políticas que podem ser adotadas não apenas na esfera estadual, como também na municipal, para estimular a geração tanto industrial como residencial. Em Palmas, capital do Tocantins, por exemplo, há um programa da Prefeitura que dá desconto no IPTU e no ITBI para residências que geram energia solar fotovoltaica. Essa é uma iniciativa simples e muito eficiente para alavancar a geração residencial. Outro ponto importante é a ampliação das linhas de financiamento para quem quer adquirir o equipamento. Nesse sentido, o Banco do Nordeste, por exemplo, tem realizado um excelente trabalho na região e não é à toa que Estados como o Ceará têm conseguido se destacar nessa área. Aqui mesmo, em Alagoas, temos visto vários novos projetos aprovados pelo banco que devem alavancar a produção local. Ainda assim, claro, o Estado poderia, por exemplo, usar todo potencial e pioneirismo na produção de energia renovável, como biomassa, para também se tornar referência em produção de energia solar fotovoltaica.

 Ou seja, Alagoas poderia unir seu pioneirismo na produção de combustíveis como o álcool, energia de biomassa e energia solar fotovoltaica para se projetar como um Estado referência em energia renovável?

Claro, o mesmo sol que é uma marca do turismo em Alagoas deve ser também referência no Estado na produção de energia, atrelada a todas as essas fontes citadas por você. Até porque será preciso contar com matrizes complementares de energia. E essa é uma discussão estratégica que o país precisará enfrentar nos próximos anos. Outro ponto importante é a decisão de adotar a energia solar fotovoltaica em prédios da administração pública. E não apenas pelo efeito simbólico positivo do exemplo. Quando um governo de Estado ou uma prefeitura usa a energia solar em seus edifícios, terminam atraindo também empresas ligadas ao setor para a região e, como consequência, fomenta toda uma cadeia que vai barateando os custos ao consumidor. Mas, como falei no início, Alagoas já deu os passos mais importantes e vemos com otimismo o futuro do Estado nessa área.

por Rodrigo Cavalcante

 

 




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