Passada a eleição, o que a geração de Renan Filho e Rodrigo Cunha pode fazer para mudar Alagoas?

Publicado em 09 de Outubro de 2018

por Rodrigo Cavalcante

Eles sequer completaram 40 anos – mas já garantiram lugar de destaque na história política de Alagoas pela votação deste domingo.

O economista Renan Filho, 39, segundo governador mais bem votado do país, com 77,3% dos votos (mais de um milhão de votos), e o advogado Rodrigo Cunha, 37, senador mais votado este ano (com quase 900 mil votos),  são dois nomes da nova geração de políticos alagoanos que têm a chance de ajudar a redefinir uma nova direção para um Estado que, após mais de 200 anos de emancipação de Pernambuco, parece ainda não ter uma clara visão de futuro.

Afinal, o que a economia de Alagoas quer ser nacionalmente?

Com a decadência (ao que tudo indica, irreversível) da indústria sucroalcooleira, quais serão as novas principais forças econômicas?

Quais as estratégias de integração regional da economia de Alagoas com a de outros Estados vizinhos no Nordeste?

Enquanto não tivermos respostas claras para as perguntas acima, todo o esforço fiscal que o atual governo realizou, por exemplo, pode se perder em poucos meses de mudança de gestão.

Como economista, Renan Filho sabe que boa parte da votação que obteve é resultado do acerto da condução das finanças (graças ao acerto da nomeação de George Santoro) que blindou Alagoas das intempéries do desequilíbrio fiscal de vários estados brasileiros.

Sabe também que esse equilíbrio é frágil e que Alagoas só sairá da eterna posição de dependência (quase sempre “enxugando gelo” e com pires na mão em Brasília) quando tiver uma agenda de desenvolvimento clara que mude o perfil da nossa economia.

E esse talvez seja o principal desafio do atual governo: fazer com que a agenda de desenvolvimento ganhe força e deixe de ser uma pasta com foco apenas em “promoção” - para se transformar num centro sério de articulação e implementação de um plano de metas claro e integrado de desenvolvimento.

Para isso, o governo precisa definir metas estratégicas essenciais e não deixar que áreas como o Turismo e Tecnologia, por exemplo, voltem a ter cargos importantes ocupados por correligionários desempregados sem mandato.  

Até porque, se o ex-presidente Juscelino Kubitschek fez de Brasília a chamada meta síntese de seu Plano de Metas, o turismo em Alagoas não deixa de ser uma espécie de meta síntese do desenvolvimento econômico do Estado – desde que encarado, de fato, como uma verdadeira indústria que incorpora e agrega valor às outras cadeias produtivas.

Já o advogado Rodrigo Cunha, eleito sob o mote “Reaja Alagoas”, terá como principal desafio trocar o foco da reação pelo da ação.

Cunha tem condições de se tornar um dos senadores mais importantes de Alagoas se, em vez de se posicionar apenas no papel (ainda que importante) do fiscal de malversação de políticas públicas, tiver uma agenda clara das lutas mais importantes que deverá travar no Senado pelo desenvolvimento de Alagoas.

Como representante de um Estado onde quase tudo é prioridade, Cunha deve evitar cair na armadilha (muito comum em Brasília) de demandas difusas, para seguir o chamado Princípio de Pareto (do sociólogo e economista italiano Vilfredo Parero), segundo o qual aproximadamente 80% dos efeitos vêm de 20% das causas.

Isso inclui definir uma agenda estratégica clara desses 20% para destravar algumas das obras mais importantes do Estado (acompanhando, por exemplo, a Comissão de Infraestrutura para exigir a completa finalização da duplicação da BR 101), defender os interesses de Alagoas frente ao Tesouro Nacional (inclusive de olho na questão da dívida), garantir repasses estratégicos e criar condições para trabalhar inclusive em colaboração com o Governo do Estado, quando necessário, sem sucumbir a mesquinharias político-partidárias quando isso ameaçar os interesses do Estado.

E, acima de tudo, dar visibilidade e nova voz aos interesses de Alagoas em primeiro, segundo e terceiro lugar, não seguindo a trajetória daqueles que, no passado, usaram o Estado apenas como trampolim até mesmo para chegar à presidência – sem que os alagoanos fossem beneficiados.

Só assim, quem sabe um dia, Alagoas contará com nomes que sejam lembrados, no futuro, por ousarem ter ido além da mesmice do jogo de poder dos caciques locais – em busca da fronteira que demarca a diferença entre os políticos tradicionais e os estadistas.   



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