Paisagem do campo alagoano pode mudar com integração entre gado e eucalipto; saiba mais aqui

Publicado em 04 de Outubro de 2018

Imagine ver milhares de hectares hoje destinados ao pasto em Alagoas (boa parte em terras de encostas onde a cana se tornou inviável) transformados em florestas de eucalipto nas quais o gado pode crescer sob a sombra das árvores, num microclima com temperatura mais amena - e muito mais conforto para atingir o peso ideal em menor tempo.

Sim, isso não é apenas possível, como economicamente viável, como provam exemplos de várias regiões do país e daqui do Estado mesmo que serão apresentados no seminário “Integração Lavoura Pecuária Floresta”, realizado pelo Sebrae no próximo dia 10 de outubro, no auditório da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA).

“Nosso objetivo é disseminar técnicas que resultam não apenas numa mudança ambiental positiva, como no aumento de produtividade ao unir a cultura da lavoura e da pecuária à do eucalipto, cujo potencial em Alagoas já foi comprovado por um série de iniciativas de técnicos e empreendedores pioneiros na área”, diz Vania de Britto, gerente da Unidade de agronegócios do Sebrae Alagoas.

Entre os casos que serão apresentados, estão exemplos locais como o da fazenda Bandarras, em Capela, coordenado pelo engenheiro agrônomo Shirlan Madeiros, que também é sócio-presidente da Amaru Sustentabilidade, especializada em produtos de eucalipto.

“A integração do gado com o eucalipto não é um experimento em fase de teste, é uma realidade com resultados comprovados que só não foi ainda mais disseminado em Alagoas por desconhecimento e alguns mitos que foram criados em torno da cultura”, diz Madeiros. Entre os mitos, por exemplo, estariam aqueles que apontam o eucalipto como uma árvore que absorve muita água do solo em comparação com outras espécies. “Quem estuda a cultura do eucalipto, sabe que, dependendo da espécie, ela requer tanta água como, por exemplo, a plantação de laranjeiras”, diz Madeiros. 

Ainda de  acordo com o engenheiro agrônomo, que acompanha a introdução do eucalipto em Alagoas há mais de 15 anos em terras de usinas do Grupo Carlos Lyra, pesquisas indicam que Alagoas e Pernambuco estariam entre os melhores pontos para plantar a árvore no país e que a integração da cultura com a pecuária é tão vantajosa que mesmo o proprietário que não tem o objetivo de lucrar com a madeira sai ganhando. “O impacto da presença do eucalipto no pasto por si só resulta em maior produtividade do pecuarista”, diz Madeiros. “Ou seja, é um jogo de ganha-ganha em que a madeira do eucalipto gera ainda uma renda adicional que pode ser reinvestida na redução de custos da propriedade”.

Sobre os custos de investimento para fazer a integração, o engenheiro agrônomo lembra que a cultura de eucaliptos também permite ao produtor ter acesso a créditos ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), com menor taxa de juros, já que a introdução da cultura reduz a emissão de gases liberados pelo gado como o metano, considerado bem mais danoso à atmosfera do que o carbono.

“No seminário, além da troca de experiências, os participantes poderão fazer uma visita técnica para ver, na prática, como a integração funciona”, diz Shirlan. “E tenho certeza de que, quanto mais pessoas conhecerem o processo, a adesão à cultura tem tudo para mudar a paisagem de milhares de hectares de pasto em Alagoas”.

O seminário será realizado nos dias 10 e 11 de outubro, das 8h às 18h, com visita à fazenda Bandarras, em Capela, no dia 11. A inscrição no seminário é gratuita e pode ser realizada pelo telefone do Sebrae 0800 570 0800.

 

por Rodrigo Cavalcante

 

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